Lição de casa …

setembro 22, 2009

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“EU ANDO PELO MUNDO DIVERTINDO GENTE,
CHORANDO AO TELEFONE
E VENDO DOER A FOME DOS MENINOS QUE TEM FOME.”
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Antes eu pensava no mundo e me dava uma dor muito grande no peito. Sentia uma compaixão incrivel, e uma vontade de abraçar o mundo e trazer todo ele pra dentro de mim. Há um ano e pouco esse mesmo mundo deixou de fazer sentido pra mim. E o sentimento que eu tenho hoje quando eu olho pro mundo é o pior possivel: indiferença. Na verdade me dói não conseguir sentir compaixão de novo. Estou cada vez mais olhando pra minha vida, olhando pro meu umbigo e querendo que o mundo a minha volta se lasque. Confesso que meu coração chora ao ver o garoto abandonado buscando no saco de cola o que nao tem na mesa (que mesa?), ao ver o velho na rua montando sua toca a noite pra se esconder do frio; da chuva e dos perigos que a noite insiste em não esconder, ao ver o mundo se perder sem valores e sem propósito. Passei a viver como a maioria das pessoas, pensando em mim, no meu bem estar e achando que cada um tem que se virar como pode. Mas eu sinto falta da pessoa que eu era, sinto falta de acreditar em alguma coisa maior, sinto falta de me sentir nos braços de “DEUS”, de ter propósitos, de ter valores e regras inquebráveis. É bom não sentir a tau “culpa católica”, mas as consequências são duras também. Talvez seja hora de parar e tentar ver pra onde a minha vida está me levando, e se é esse caminho que eu quero seguir. Talvez seja mesmo hora de REAVALIAR 

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“Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos. Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo. Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: “Parar pra pensar, nem pensar!”
O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação. Sem ter programado, a gente pára pra pensar. Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se. Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto. Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida. Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar. Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo. Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos. Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada. Parece fácil: “escrever a respeito das coisas é fácil”, já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado. Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança. Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade. Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.”
[Lya Luft]

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Uma resposta to “Lição de casa …”

  1. Patricia Moregola said

    como se fosse fácil PARAR pra ver o que acontece. Be careful, girl. Quando você resolver voltar a caminhar, muitas coisas terão passado enquanto você PAROU. ::: O tempo não pára!

    loveyou.
    siz

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