Meu coração vai se entregar à tempestade …

agosto 12, 2009

 

Parece que todos já expressaram sua revolta referente ao episódio de domingo. Alguns postaram com as próprias palavras, outros com músicas, outros copiando a carta que nosso “pai” Grulli escreveu. Sei que de uma forma ou outra, as pessoas ficaram mais leves, menos eu. Ainda tenho alguns quilos acumulados de toda aquela palhaçada! 

Era um domingo diferente, sem dúvida. Era dia dos pais, e a emoção estava solta no ar, desde cedo ela viera me acordar pra me avisar que meu pai não estava ali no quarto do lado pra eu levantar pular na cama dele e gritar: “FELIZ DIA DOS PAIS”, o nó na garganta e o aperto no coração começaram ai. Quando o sol invadiu meu quarto, eu pude sentir todo o clima do dia pesado, as vozes embaixo da minha janela, os ruídos do apartamento, e alguém especial acordando junto comigo. Esse alguém faz parte de uma realidade paralela, onde tudo é bom e calmo, ele veio do único lugar onde eu me sinto inteiramente em paz: a GAMBIARRA!

 Lá estávamos nós, no maior estilo anfitrião. Eu e meu marido, Pedro, recebendo nossos convidados, mostrando a casa, apresentando as pessoas, acomodando-os na área V.I.P. Ele com os pais, e eu com a minha melhor amiga de vida, Yasmin. Nos acabamos no palquinho, junto com os viciados, que estavam mais animados do que os últimos domingo. Pelo menos eu estava, afim de me acabar. Fomos aproveitar a mordomia da área V.I.P, já que por cara de pau, nós pedimos e conseguimos uma pulseirinha. Eis que, sem mais nem menos, sou avisada que a polícia ta na casa (invasão), as portas estão fechadas (cárcere privado) e a bagunça está feita (sem mandado nenhum – abuso de poder)! Fiquei maluca! Não encontrava mais ninguém, e a tristeza tomou conta de mim. Voltei pro meu canto, e fiquei sozinha olhando a pista. Olhando aquele bando de gente feliz, dançando, os Dj´s convidados tinham acabado de começar a tocar. Uma coisa estranha: sem viciados na pista (somos sempre os primeiros a saber). O paizão sobe na cabine, e eu já sabendo cada palavra que ele ia dizer, e anuncia que a casa será fechada, “TODOS tem que se retirar” Aquilo doeu em mim, e até um sorriso de nervoso saiu da minha boca. Pedro Neschiling e seus amigos se revoltaram do meu lado, a indignação era geral. “É PROIBIDO PROIBIR”, eu ouvia eles gritarem. O Miro, nosso DJ encantado, estava transtornado. Tocando músicas da ditadura, gritando no microfone. Herói da nossa noite! E eu, com muito medo! 

Estou me escondendo até agora, de vergonha. Vergonha de ter sentido medo, e fugido. Quis proteger os que eram meus, quis estar JUNTO, grudado. Não sabia a proporção que as coisas estavam e tive medo. Medo de apanhar, de ser agredida verbalmente, de qualquer coisa assim, ou assado. Sei que fiquei na minha, fui pro restaurante e de lá eu vi toda a galera na rua, os que antes só queriam dançar, se divertir. O clima era de total tensão, e eu só sabia de UMA coisa: eu queria estar perto dos meus. Ficava aliviada cada vez que alguém aparecia: Pedro, Gigi, Marlon, Taiguara, Guto, Victor … e por ai vai. Eu queria acreditar que aquilo tudo não estava acontecendo, mas era real demais a nossa revolta. Os olhinhos perdidos da Anna, me deixaram sem chão. Quando, na cabine do Miro, eu abracei o Grulli (ainda não o tinha visto), eu só queria chorar. E o pior, foi quando o Pedro me pediu: “Vai dar um abraço no Miro?”, e eu fui. Ele deitou sua cabeça no meu ombro e chorou; como nem um bebê choraria. Chorou de tristeza mesmo, e aquele menino perdido chorando nos meus ombros me fez ficar PEQUENININHAAA! Uma verdadeira fadinha! E aqueles malditos piratas invadindo a nossa Terra do Nunca! Pesadelo bravo! 

Os nervos acalmaram, os corações não. Fomos todos continuar a nossa reunião no buteco, viciados juntos, numa mesa só. É bom demais sentir a nossa união. 

JUNTOS NÃO EXISTE MAL NENHUM!

 Ficamos apreensivos. Eu estou aqui, esperando explicações, esperando decisões, esperando a The Week, esperando que desabe muita água, esperando que a Gambiarra aconteça, LINDA, no domingo que vem. Todos de branco, vamos abraçar a nossa causa, a nossa festa.

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E mostrar pra quem quer que seja, que isso só aconteceu pra deixar a gente com mais vontade de que todo domingo desabe um mar de água, pra lavar o que tem que limpar!

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