Como os nossos pais …

janeiro 29, 2009

Às vezes assim, sem razão ou porquê, a vida traz essa saudade que a gente não consegue controlar, explicar ou entender. Só se sente. E sente muito.

Sempre me imaginei perdendo alguém que eu amasse muito. Meu pai, minha mãe, meus irmãos, a parte vital da minha vida. Sempre soube que a dor seria insuportável. Quando eu imaginava isso, achava meio surreal ficar sem um deles e logo esse pensamento ia embora! Mas logo no ano passado, tive que aprender. Papai se foi, de um jeito triste (e tem jeito feliz?). Não deu pra se despedir, eu não podia acreditar imaginar que isso ia acontecer, mas aconteceu. E eu, com meus 18 anos recém-feitos tive que aprender a lidar com a minha primeira grande perda.

Perder meu pai foi algo como perder o telhado de um quarto! É como se cada comôdo da casa representasse alguém da família. Ai certo dia você entra no quarto e tá sem o telhado [sem o chão faria mais sentido, pois formaria um buraco], quando vou procurar meu pai só vejo as estrelas. Às vezes encontro ele nos meus sonhos. E é sempre tão bom. Ele sempre vem com aquele abraço de Urso que eu sinto tanta falta. Às vezes eu queria deitar a cabeça nos seus braços e dormir com ele, mesmo que ele começasse a roncar. Às vezes eu queria chegar em casa e ver ele na cozinha fazendo comidinha e esperando a família. Às vezes eu queria ver ele sentado na poltrona, deitado na cama, ou me esperando na porta do metrô (eu sinto tanta falta disso). Às vezes eu queria ter todas as noites da minha vida pra ficar com ele. Às vezes eu queria fazer tudo o que ele tivesse vontade: ir à praia, ao parque. Às vezes eu queria parar no shopping e comprar um presente-surpresa pra ele. Às vezes eu queria chamar ele de PAI outra vez. Eu queria ouvir a voz dele ao acordar. Eu queria ligar no celular dele e ELE atender. Queria ter noticias, receber uma carta, um postal do lugar onde ele está.

A tristeza não existe mais. Eu entendo que a vida é assim mesmo. Pessoas vão, vem, chegam e vão embora. Mas é impossível não sentir falta. É impossível continuar a vida normalmente. Depois que ele se foi a minha vida mudou. Não em um ponto aqui e o outro ali. Mas de um modo geral. Eu ainda não sei aonde eu fui afetada por isso, qual fio puxou mais ou menos, mas sei que algo aconteceu.

dad

Eu Papai e Matheus – Zoológico de São Paulo

“Mas sei, que uma dor assim pungente, não há de ser inutilmente, a esperança dança na corda bamba de sombrinha, e em cada passo dessa linha pode se machucar…”

[Elis Regina – O bêbado e a equilibrista]

2 Respostas to “Como os nossos pais …”

  1. Patricia Moregola said

    …de um modo muito maior.

  2. Aérri said

    Estou emocionado e ao mesmo tempo triste, Thay que Jesus possa te suprir em seus sonhos com o papai vindo e indo, ele não estás aqui “carnalmente” mas sim espiritualmente sintasse acolhida.
    Dói mas não podemos escolher, vc fez eu q eu pensase mais nele e na minha mãe. obrigado
    bjO

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